terça-feira, 28 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Walk streets

"Like the city, I belong to the living dead, I am a corps that still breathes, a wretch condemned to walk streets and pavements that can only remind me of my filth and my defeat". 

TEARS IN RAIN

I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser gate. All those moments will be lost in time... like tears in rain... Time to die.

Sow


sábado, 11 de dezembro de 2010

Hold me close


(Continuam a) Marcar Passo ...

continuam a marcar passo! 

Dá-me as mãos por brincadeira


Dá-me as mãos por brincadeira
Na dança que não dançamos,
Porque isso é uma maneira 
De dizer o que pensamos.
Dá-me as mãos e sorri alto,
A vigiar o que rio,
Bem sabes que assim já falto
A pensar coisas a fio.
Não quero largar as mãos
Assim dadas por brinquedo.
Deixa-as ficar: há irmãos
Que brincam assim a medo.
Não largues, ou faz demora
A arrastar, a demorar, 
As mãos pelas minhas fora,
E já deixando de olhar.
Que segredos num contacto!
Que coisas diz quem não fala!
Que boa vista a do tacto
Quando a vista desiguala!
Deixa os dedos, deixa os dedos,
Deixa-os ainda dizer
Aqueles dos teus segredos
Que não podes prometer!
Deixa-me os dedos e a vida!
Os outros dançam no chão, 
E eu tenho a alma esquecida
Dentro do teu coração.
Todo o teu corpo está dado
Nas tuas mãos que retenho.
Mais vale ter enganado
Do que ter porque não tenho.

Fernando Pessoa, iPoesia 1918-1930 

Vi-Ver

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Saborear o texto na linguagem


A palavra não começou por outra palavra. É o epílogo de um processo que começa por um impulso; o reflexo da necessidade de expressão que é ditada por um estímulo.
As palavras são a parte visível de uma construção gigantesca que não se vê.
Por isso, saborear as palavras - saborear o texto na linguagem - é representar o que a força das palavras sugere.

Watch You

O Tempo

“O Tempo é o espaço onde as coisas acontecem”                      
  Santo Agostinho

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Non, je ne regrette rien

O Amante

«Um dia, já eu era velha, um homem dirigiu-se-me à entrada de um lugar público. Deu-se a conhecer e disse-me: - «Conheço-a desde sempre. Toda a gente diz que você era bonita quando era nova, vim dizer-lhe que, para mim, acho-a mais bonita agora do que quando era jovem, gostava menos do seu rosto de mulher jovem do que daquele que tem agora, devastado.»
 Marguerite Duras 

domingo, 5 de dezembro de 2010

FMI - Chega ou não chega?


Muita tinta tem corrido a propósito da chegada do FMI, a Portugal.
À volta desta matéria, têm surgido inúmeras opiniões - convergentes ou divergentes - cujo âmbito (a maioria das vezes) ultrapassa o assunto propriamente dito.
Neste país hospitaleiro, há quem descreva a situação como uma chegada pouco simpática, preferindo a continuação da aplicação da cosmética habitual.
Não partilho dessa opinião, considero que a "visita" deve ser encarada não com simpatia (ou falta dela), mas sim com rigor.
Importa explicar que, é uma presença inevitável precisamente porque o excesso da cosmética nos deixou a todos (muito) mal pintados.
Impõe-se uma estratégia de ruptura - de alguns riscos - e muita prudência.
Não vale a pena tratar com aspirinas um problema que carece de ser combatido com antibióticos.

A Arte é Tudo


Só um livro é capaz de fazer a eternidade de um povo. 

Eça de Queiróz 

Knights Of Cydonia


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sensibilidade

«Quando saímos, se está a nevar e tudo se pôs branco, ficamos sós, sentimo-nos sós. Se o sol estiver a brilhar, talvez não. Mas nada garante que aquilo que o outro sente seja equivalente ao que nós próprios sentimos. Quanto à mensagem, não sei... Não há mensagem. A melhor coisa é deixar a intuição e a imaginação agirem. É verdade que eu quero dizer com força qualquer coisa difícil de formular, qualquer coisa de escondido; mas são os espectadores que têm de o descobrir, senão tudo seria tosco e grosseiro; são vocês que têm de o descobrir, eu não posso proceder demasiado directamente. Frente a certos valores, é preciso, acima de tudo, sensibilidade.»

Pina Bausch

"O Som e a Fúria", de William Faulkner

É um livro que dificilmente se arruma na prateleira. 
Hoje, ao (re)ler, das palavras surgiu uma intensidade sublime que me remeteu para um deslumbramento inesgotável.
É, de facto, verdade: por cada leitura, surge uma nova leitura; descobrem-se novos (e bons) pormenores que a velocidade (ou a curiosidade) da leitura anterior havia levado despercebidos. 
A narrativa cai delicadamente na profundeza - do nosso mais nosso - e "entendemos de súbito o que se nos afigurava estranho e confuso; e todo o quadro se abre luminosamente perante nós ", tal como acontece na grande poesia.        


Vida extraterrestre

A NASA anunciou que na próxima quinta-feira, dia 2, organiza uma conferência de imprensa sobre "Astrobiologia", para discutir "uma descoberta que terá um enorme impacto na procura de vida extraterrestre".


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Erro espia-nos constantemente (e nós expiamo-lo também …).


… É também importante saber reconhecer o mérito e saber pesá-lo, e cada vez mais se acumula para mim a evidência de que isto é um exercício propositadamente ignorado entre nós. E, paradoxalmente, a palavra de ordem é, cada vez mais, avaliação. Indispensável é também o juízo sobre o que praticamos, pois o erro espia-nos constantemente (e nós expiamo-lo também …) …”. 

João Lobo Antunes, in Um Modo de Ser

Entre um café e outro, perguntavam-me (insistentemente) se a análise tendenciosa confecciona decisões desonrosas. 
Propositadamente (porque não gosto de insistências deste tipo), não respondi de imediato. 
No entanto, aqui fica a resposta.

Creio que, tudo o que possa ser entendido por desonroso tem, subjacente, razões circundadas de improbidade.
A regra é, não avalia quem quer, avalia quem sabe. (Outros tempos!).
Ultimamente, quem tem avaliado não sabe, nem quer saber, e quem sabe, não avalia.
Na avaliação desenvolvida por “avalistas” (não por avaliadores), o erro é um ingrediente específico e indispensável.
Não é um "erro qualquer".
Nesse método – análise tendenciosa - a lógica do erro é semelhante à conduta do “burlão”: intencionalmente, provoca-se o engano, aproveitando-o para concretização do resultado final.
Enganam-se os que, nestas circunstâncias, apresentam como desculpa o “erro na formação da vontade”.
O “erro desculpante” não tem cabimento neste panorama, nem deve ser motivo de “desresponsabilização”.
Dizem os “Freudianos” que, este estilo de prática está arreigado na criatura que a desenvolve. Não se constrói do nada, nem se destrói com tudo. É uma aptidão de berço. Mas, como tudo, esgotar-se-á um dia.
Nesse momento, fraca – a criatura - seca, terrifica e (auto)inutiliza-se 
“… pois o erro espia-nos constantemente (e nós expiamo-lo também …) …”.

Trust!


Continuar ...

Pedro Cabral

Projecto colectivo de sete desenhadores, de áreas profissionais diversas, que registam a cidade de Lisboa graficamente, percorrendo-a em sete percursos distintos: de uma periferia (uma das entradas) a uma das (míticas) colinas. Cada desenhador seleccionou dez desenhos, de um percurso delineado pelo próprio, dos muitos que fez ao longo do ano. Sem limitações de técnicas ou materiais. A única imposição foi o suporte ser um caderno com as dimensões desde livro: 140x200
Parabéns Pedro

sábado, 20 de novembro de 2010

Marcadores Somáticos e o Sistema límbico


As garrafas

Entre uma e outra, esvazia-se o vinho todo nos copos. 
Saboreia-se, observa-se, sente-se para demorar o paladar das histórias das palavras que vão saindo como um percurso de um rio, cheio de vida.   
É tudo tão intenso que parece magia. As imagens surgem com uma luminosidade magnifica, como se o brilho fosse, ele mesmo, uma cor quente e escorregadia.
Entre a pele e o vinho, surge uma união perfeita tão forte que se torna magnética. 
Devagarinho, como quem espreita pela fechadura, revelam-se os olhares cheios de razões, oriundas sabe-se lá de onde. 
E vive-se. 
Vive-se, no meio de um e outro gole, prova-se a vida numa construção enigmática do que se define por caminho. 
As garrafas ...
As garrafas, contam-nos histórias ao ouvido que nos adormecem a dor.  

O Miúdo - ALA


Bullet Proof - I Wish I Was

Humans are such emotionally fragile beings!

domingo, 7 de novembro de 2010

China quer ajudar Portugal?

Primeiro ignorou-nos e agora quer ajudar
Só faltava mais esta ... 
Uma ligação perigosa que, no mínimo, nos deve deixar a todos de olhos em bico! 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

E pede-se conhaque!


Aproxima-te um pouco de nós, e vê. 
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos.
A práctica da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há príncipio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. 
Ninguém se respeita. 
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O desprezo pelas ideias em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima abaixo!
Toda a vida espiritual, intelectual, parada.
O tédio invadiu todas as almas. 
A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretárias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguer. A agitagem explora o lucro.
A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade. O número das escolas só por si é dramático.O professor é um empregado de eleições. A população dos campos, vivendo em casebres ignóbeis,sustentando-se de sardinhas e de vinho, trabalhando para o imposto por meio de uma agricultura decadente, puxa uma vida miserável, sacudida pela penhora; a população ignorante, entorpecida,de toda a vitalidade humana conserva únicamente um egoísmo feroz e uma devoção automática. No entanto a intriga política alastra-se.
O país vive numa sonolência enfastiada. 
Apenas a devoção insciente perturba o silêncio da opinião com padre-nossos maquinais. Não é uma existência, é uma expiação. 
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte:o país está perdido! Ninguém se ilude.
Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz?
Atesta-se,conversando e jogando o voltarete que de norte a sul, no Estado, na economia,no moral,o país está desorganizado-e pede-se conhaque!
Assim todas as consciências certificam a podridão; mas todos os temperamentos se dão bem na podridão! 
In Farpas, Eça de Queirós, 1871

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Formas de vida

Nesse dia, o sol apareceu atrás dos afectos, malandro, como quem salta do alto de um muro, sem ser apanhado. 
- Abre a janela, rápido! 
Disse-lhe com uma voz grave. 
- Abre a janela rápido, enquanto o temos cá. Olha que não demora, o sacana faz sempre o que quer!
E voltou a rebolar-se na cama.
- Vou levantar-me. Hoje o dia não está para ficar fora do mundo! 
Mas o corpo não se mexeu, assim era a sua forma de estar na vida.  

(Ainda sobre) O Dia dos Prodígios


"... Retrato de um Portugal ainda à espera de Godot. ...". 

Les Aventures de Tintin


Em formato inédito!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"O que faz de Beckett tão poderoso, é exactamente a sua habilidade para condensar a experiência de um século apocalíptico dentro de uma história simples. Ele comprime o universo num átomo, que depois explode na nossa imaginação".

sábado, 25 de setembro de 2010

O DIA DOS PRODÍGIOS


Não é simples simpatizar com o texto do livro “O Dia dos Prodígios”, de Lídia Jorge.
A linguagem narrativa leva-nos, permanentemente, para um realismo mágico onde a história se desfaz numa dimensão metafórica de difícil apreensão.
A ousadia de transpor para o palco essa narrativa, com dinâmicas muito particulares, não é um desafio, apenas, ao alcance da vontade. A distância entre uma realidade (o livro) e a outra (o teatro), apresenta-se, à partida, dificilmente transponível.
Exige-se um exercício gigantesco de inteligibilidade, sensibilidade e inteligência; obriga saber “contar uma história”.
Diz, quem viu, que o objectivo foi, distintamente, concretizado.
“O Dia dos Prodígios”, está em cena no Teatro da Trindade até ao dia 14 de Novembro. É uma peça de teatro completa, cheia e cirúrgica, distinguindo-se pela grandeza humana que qualifica todos aqueles que tornaram possível a sua representação.
Através de uma encenação exímia, digna de um aplauso interminável, apresenta-se um trabalho de grupo de uma invulgar coesão, desejo e entrega. 
É um espectáculo de uma magnitude singular, por isso único cada vez que subir ao palco. 
"O Dia dos Prodígios" transformou-se numa prodigiosa visão do teatro.

sábado, 11 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"Gollum" de John Ronald Reuel Tolkien

Uma Amiga chamou-me a atenção para esta observação: 
"Que capa! 
Faz-me lembrar isto"!
Impressionantes estas coincidencias "Tolkoenianas". 
E, para quem entende que não há coincidências... 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Desimportantizar

"Só aliviados podemos tirar o ombro da ombreira e partir fraternalmente, ombro a ombro, para melhores dias, que o mesmo é dizer, para dias mais verdadeiros. 
É pouco como projecto? Em todo o caso, é o meu. 
O que vou deixando escrito, ora me desgosta, enjoa até, ora me encanta. Acontece certamente o mesmo aos outros poetas, tenham estatuto ou não. Mas comigo, talvez essa oscilação se dê com mais frequência. 
É que a invenção atroz a que se chama o dia-a-dia, este nosso dia-a-dia, espreita de perto tudo o que faço. É o preço que tenho pago para o esconjurar, pelo menos nas suas formas mais gordas e flácidas.”
Alexandre O`Neill