quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Paciência de Cabral


Li aqui que, a maioria dos brasileiros não tem conhecimento das suas origens.Que tal ouvir isto?
Desconhecem, aliás, de quem o seu país se tornou independente, ou melhor “indipendentchi”.
Há quem diga que o "Brasil vai cumprir Portugal".
Nem consigo imaginar o vazio que vagueia por essas bandas. Certamente, é uma sensação corrosiva, desengrandecedora.
Viver sem um álbum de memórias, coabitar na ignorância das géneses, deve ser de um despojamento do agreste,"Genti".
Por falar em "agreste", fica este Amado e saudoso aviso.    

"Conta-me como foi", simétrica?

ANA? ou ANA? Já tinha falado sobre isto aqui
Não Vos vou contar como foi, correria o risco de ser insuficiente. 
Apenas um registo,
"Um homem só não é ninguém. É preciso que alguém o chame." B.Brecht

domingo, 13 de dezembro de 2009

Balada para todos


"... Basta que ela comece a gritar a verdade na cara de todos. Ninguém acredita no que diz e todos a tomam por louca! (...) Vocês sabem o que significa encontrar-se diante de um louco? Encontrar-se diante de alguém que sacode dos alicerces tudo o que vocês construíram dentro de si, em torno de si, a lógica, a lógica de todas as suas construções! (...) Abrir-se com alguém, isto sim é realmente coisa de louco! ...".
Luigi Pirandello

Rinasceró

Não creio que seja por esta via que arrumará as botas!
"... Rinasceró ...".

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

If You Just Smile


Smile, Though your heart is aching
Smile, Even though it's breaking,
When there are clouds in the sky, you'll get by
If you smile, Through your fears and sorrow,
smile
And maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through for you
Light up your face with gladness,
Hide ev'ry trace of sadness,
Altho' a tear may be ever so near,
That's the time you must keep on trying,
Smile, What's the use of crying,
You'll find that life is still worhwhile,
If you just smile

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

ALA nas "Entrelinnhas"

"... Há sempre uma janela aberta ao fundo. E é por essa janela que, nós temos de sair e de entrar. ...".
  

domingo, 6 de dezembro de 2009

Caetano Veloso e António Cicero em Pessoa


No passado dia 4 de Dezembro, sexta-feira, a Casa Fernando Pessoa, voltou a encher, por dentro e por fora.
Mais que um momento onde se observaram modos de actuar e partilharam ideias “…A Mensagem do Tropicalismo", sobre a influência de "Mensagem" de Fernando Pessoa" no movimento tropicalista ...” foi uma espécie de tertúlia Lisboeta, ao estilo do Grémio Literário, do Século passado.
Estes encontros espontâneos são os melhores e os mais singelos. É o género de singularidade que acontece uma vez e não tem réplicas.
Do “Tropicalismo” a “Agostinho da Silva”, passando por Santo Amaro e regressando ao imaginário de Cachoeira, recordei a Bahia dos Capitães na Areia, e escutei, com o coração, que não podem haver adultos de oito anos, brancos ou pretos, mas Seres Humanos na sua plenitude de direitos, em qualquer lugar do planeta.
Vi, António Cicero e Caetano Veloso, em Pessoa, a falarem do mundo como se estivéssemos na Lua a contemplar o azul, o verde e os castanhos da Terra.
Senti o valor da linguagem quando está ao serviço da mensagem e se transforma em ideias singelas, tornando-a mais emotiva com a revelação de pontos de vista corajosos, por vezes, provocadores, que deveriam interrogar e mobilizar a sociedade.
Vi e ouvi, bem de perto, o sorriso daquela força estranha, uma espécie de força interior que se esvazia em força exterior e contagia até os mais blindados.
Baixinho ao ouvido, tocava-me um olhar terno e sereno, e uma voz que não parava de repetir: 
“… Caetano, venha ver o preto que você gosta. Isso de dizer o preto, sorrindo ternamente como ela o fazia, o fez, tinha, teve, tem, um sabor esquisito, que intensificava o encanto da arte e da personalidade do moço no vídeo.
Era como isso se somasse àquilo que eu via e ouvia, uma outra graça, ou como se a confirmação da realidade daquela pessoa, dando-se assim na forma de uma bênção, adensasse sua beleza.
Eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão directa e tão transcendente. Era evidentemente um grande acontecimento a aparição dessa pessoa, e minha mãe festejava comigo a descoberta. ...”.
Parabéns à Equipa da Casa Fernando Pessoa que proporcionou a realização deste momento profícuo e tão agradável. “Navegar é preciso”!

Já agora, não deixem de dar uma vista de olhos a isto.

Saudade do Largo

O Bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, é uma das zonas mais hospitaleiras da Cidade.
Cresci, a entrar e a sair do Largo Afonso do Paço, com a magia do vento que o caracteriza e as corridas ao “Eduardo dos Livros” para comprar os cromos mais difíceis de encontrar no mercado.
Guardei, nesse recanto do Bairro, as memórias felizes dos meus primeiros sorrisos, das gargalhadas, dos trabalhos de casa ao sábado de manhã, das dúvidas e do aconchego daquelas mãos que agarravam os livros, com a delicadeza sublime da sabedoria.
Foi lá que conheci “Alexandres”, O Grande e O'Neil, Victor Hugo, a razão de Platão, a poesia de Lorca, a Flauta Mágica de Ingmar Berman, um Jim que era Lord; ouvi pela primeira vez Carmina Burana, vi “Um Eléctrico chamado Desejo” e aprendi que não se pode viver sem Vivaldi, Mozart, Vinicius, João Gilberto e Chico Buarque.
Certamente por isso, não suporto a dor da ausência que ficou naquela janela depois da viagem.
Voltar lá quando adormeço, sonhar baixinho para não acordar as memórias e sentir o cheiro quente, é viver o sabor colorido dos afectos intocáveis.
Hoje, porque é hoje, ouço com especial atenção isto e penso em quem fez desse Largo o meu recanto, em Campo de Ourique.
Certamente onde estão, olham pela janela, passeiam pelo pomar das maçãs saborosas, com aquele sorriso malandro que reside ainda cada um de nós.
Do you hear the people sing?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Conversas com Deus

E se um dia ....

Não! Não te incomodes.
Estou bem assim, vou puxando a minha carroça, uns dias a “trote” outros a “galope”. Mas, sempre, feliz Yubby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dibby dum

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

AVE e o Violino


Nem sempre os dias terminam serenos, como hoje.

São como as marés, levam e trazem sentimentos binários, compassos de cores temperadas de quente e frio.
Com a mesma força da chegada, perdem-se nas partidas e vestem-se dos sons de um violino que hoje encheu o meu coração.

Força Estranha: "A Mensagem do Tropicalismo"

"... Por isso uma força me leva a cantar,
Por isso essa força estranha no ar,
Por isso é que eu canto, não posso parar, Por isso essa voz tamanha ..."

Lá estarei, espero, para ouvir  

"A Mensagem do Tropicalismo"

domingo, 29 de novembro de 2009

Simbiontes e os Amigos da menina do Mar










Li aqui que “… O projecto Simbiontes baseia-se na interacção e enriquecimento mútuo entre vários sectores da sociedade (cientistas, artistas, crianças, idosos, associações de doentes, etc.), que através de ateliers pedagógicos criam materiais originais visando a angariação de fundos para o desenvolvimento da ciência em Portugal. Nesta fase, para implementar o projecto, a Associação Viver a Ciência aliou-se à escola de arte Ar.Co e ao Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa. As crianças que se encontram em ambulatório neste hospital foram convidadas a participar em ateliers, que as levou numa viagem pelo mundo da arte e da ciência, a partir da história "A Menina do Mar", de Sophia de Mello Breyner Andresen. …”.

Creio que, o verdadeiro valor de uma construção artística dificilmente poderá ter correspondência monetária.
Uma obra, enquanto expressão artrítica compreende entrega pessoal, coragem, dedicação, trabalho, impossíveis de contabilizar.
Estas, são exemplo disso e muito mais.
Com referência ao livro da "A Menina do Mar", de Sophia de Mello Breyner Andresen, os desenhos são o espelho de sorrisos intemporais com uma dimensão que ultrapassa as nuvens e atravessa oceanos. Compreendem atitude, uma espécie de “desígnio”, em relação à realidade.
A exposição estará no Chiado Plaza, em Lisboa, até dia 24 de Dezembro de 2009, e o valor arrecadado irá financiar um projecto de investigação, na área do cancro.
O leilão ocorreu no passado dia 27 de Novembro, pautado por uma graciosa atitude e um entusiástico sorriso, caracterizado pela sobriedade de quem apresentou esta “causa”.
Aqui fica, uma espécie de estrondoso aplauso.

domingo, 22 de novembro de 2009

Vuelta de paseo



Asesinado por el cielo.
Entre las formas que van hacia la sierpe
y las formas que buscan el cristal,
dejaré crecer mis cabellos.


Con el arbol de muñones que no canta
y el niño con el blanco rostro de huevo.


Con los animalitos de cabeza rota
y el agua harapienta de los pies secos.


Con todo lo que tiene cansancio sordomudo
y mariposa ahogada en el tintero.


Tropezando con mi rostro distinto de cada día.
¡Asesinado por el cielo!


Alegria


Allegría Come un lampo di vita Allegría Come un pazzo gridar Allegría Del delittuoso grido Bella ruggente pena, seren Come la rabbia di amar Allegría Come un assalto di gioia Allegría I see a spark of life shining Allegría I hear a young minstrel sing Allegría Beautiful roaring scream Of joy and sorrow, so extreme There is a love in me raging Allegría A joyous, magical feeling Allegría Come un lampo di vita Allegría Come un pazzo gridar Allegría Del delittuoso grido Bella ruggente pena, seren Come la rabbia di amar Allegría Come un assalto di gioia Del delittuoso grido Bella ruggente pena, seren Come la rabbia di amar Allegria Come un assalto di gioia Alegría Como la luz de la vida Alegría Como un payaso que grita Alegría Del estupendo grito De la tristeza loca Serena Como la rabia de amar Alegría Como un asalto de felicidad Del estupendo grito De la tristeza loca Serena Como la rabia de amar Alegría Como un asalto de felicidad There is a love in me raging Alegría A joyous, magical feeling
- Cirque Du Soleil -

(Composição: René Dupéré)

sábado, 21 de novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Barack Obama, Pequim e Dalai Lama


" ... O retrato de Mao Tsé-tung, que olha sobre a Praça de Tiananmen, ouviu ontem Barack Obama desafiar Pequim a iniciar negociações com o Dalai Lama sobre a autonomia cultural do Tibete. ...".
Espero a mensagem não fique, apenas, para os "retratos".

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Paciência


“… O tempo e a paciência são dois eternos beligerantes. …” (Léon Tolstoi)
“… A paciência é a fortaleza do débil e a impaciência, a debilidade do forte. …” (Immanuel Kant)
“… Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém.Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim. E ter paciência para que a vida faça o resto. …” (William Shakespeare).

Entrevistas da Paris Review


Jorge Luis Borges, William Faulkner e Ernest Hemingway são alguns dos 10 escritores cujas entrevistas à Paris Review chegam agora a Portugal, compiladas num volume editado pela Tinta-da-China
«E como se nos sentíssemos a espreitar pelo buraco da fechadura. Fingimos acreditar que os autores nos estão a contar quem são realmente fora dos livros que escrevem.»
Carlos Vaz Marques

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Direitos Humanos Universais

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."
Martin Luther King

Obama chega a Pequim com alerta para o respeito pelos direitos humanos universais: " ... Não queremos impedir a China de crescer. Pelo contrário, acolhemos a China como um membros forte e próspero e bem-sucedido da comunidade das Nações ...”

Sinais de Vida


Já estávamos a ficar preocupados.
Mais vale tarde que nunca, ainda bem que deu sinal de vida!

domingo, 15 de novembro de 2009

Com o "comer" não se brinca (nem com a comida!)


Podem destruir isto ou isto, com ou sem comentários, mas isto? Isto não podem destruir!
Vamos lá ver qual será a decisão, com o "comer" não se brinca.
Seria, no mínimo, constrangedor chegar a um restaurante e conhecer a "oculta".
Antes os talheres a bater nos pratos, ora pelos filhos, ora pelos pais aos gritos para se fazerem ouvir, mais alto que os referidos utencilios.
Porque esta questão de bater com os talheres nos pratos, não oculta a face, nem está relacionada com o "comer" ou com a "comida".

A resistência dos gazes asiáticos


Quanto tempo mais, resistirão "Eles" a isto?
Até lá, perdemos todos.

sábado, 14 de novembro de 2009

Saturday, November 14th, 2009, Lisbon

"... Obrigado, Portugal! ..."



“… A gentileza humana parece ter feito seu último reduto em Portugal. E quando eu falo em gentileza, dou-lhe quase a acepção medieval de amor cortês, de medida, de mesura. É um povo que não levanta a voz, e ninguém pense que por covardia, mas por uma boa educação instintiva e um senso de afetividade. Essa desagradável invenção moderna, o berro, não encontra forma vocal na garganta de um português. Hitler, Mussolini ou Lyndon Johnson jamais poderiam governar esse "jardim d’Europa à beira-mar plantado", onde se fala baixo, ama-se com fervor e chora-se nas despedidas.Essa tristeza, de que nós brasileiros somos os novos legatários, tem uma ancestralidade que vem de muitas dominações, muita submissão forçada, muito fatalismo histórico e geográfico. Povo afeito às guerras – ainda hoje as mantém no Ultramar – parece ele sofrer de um silencioso heroísmo na paz, como se a Desgraça, essa invisível espada de Dâmocles lenta e diariamente forjada pelo Destino, pudesse a qualquer momento cair-lhe sobre a cabeça. Quase humilde no trato pessoal, logo verificará quem o conhecer melhor que não se trata de servilismo, e sim de uma necessidade de não fazer vibrar além do necessário os frágeis fios que suspendem imanentemente os Maus Fados sobre sua existência. E é talvez por esse motivo que seus bons fados também são tristes, sempre a carpir as penas do viver e do amar.

Isto é tão mais curioso quanto, apesar de pobre e subdesenvolvido em sua grande maioria, o português é um povo saudável e de bom aspecto, com boa pele e dentes magníficos, bem certo fruto de uma alimentação mais adequada: nada como o brasileiro menos aquinhoado das regiões pobres do país, no geral malsão e banguela, além de irônico e desconfiado por mecanismo de descrença e autodefesa. A propalada "burrice" do português simples e iletrado nada mais é que uma forma sadia e vegetativa de ser (ou não ser, como queiram). Foi minha mulher quem matou a charada: "Eles não são burros", disse-me ela. "Eles apenas desconhecem que têm inteligência." E a decantada "esperteza" ou "inventiva" do pária brasileiro nada mais é que o antivírus da forma crônica da ignorância e indigência em que vive, tendo que se virar mesmo de fato para não juntar os calcanhares. O pária brasileiro tem que lutar não só contra os indesejáveis cromossomos da desnutrição; a dor de dentes endêmica e a cachaça de má qualidade, até um tipo de ensino – e isso quando é muito afortunado – em que lhe baralham a cabeça com uma língua cheia de preconceitos semânticos e acentos desnecessários – isso porque há decênios os cartolas da lingüística nas duas pátrias teimam em não simplificá-la, quem sabe para justificar a continuidade de seus jetons e sua dolce vita acadêmica.

Eu confesso que depois desta minha última viagem, e de um contato intermitente de três meses com sua gente, Portugal seria o único país da Europa onde eu poderia viver fora do Brasil: com eventuais incursões à Itália. Que adiantam o superdesenvolvimento e a kultura (assim mesmo com k) de um povo, como dois ou três que eu conheço, se neles a relação humana torna-se cada dia mais difícil e indesejável diante de um outro tipo de ignorância bem mais perigoso a longo prazo, como esse da reserva e falta de diálogo; da submissão a preconceitos econômicos falsos na verdadeira escala de valores; do aburguesamento progressivo e da mesmificação do mais pessoal dos meios de comunicação, que é a linguagem? Que qualidade é mais a prezar no ser humano, se não for a gentileza, o gosto de conviver, a boa vontade em cooperar, em socorrer, em dar-se um pouco em tudo o que se faz, desde trabalhar a amar, desde comer a cantar, desde criar no plano intelectual a fazer no plano industrial ou agrícola?

Obrigado, Portugal! No contato de tuas gentes, teus escritores e teus artistas, teus estudantes e teus simples – teu povinho das brancas aldeias! – eu senti que há ainda muito isso que cada dia mais falta ao mundo: carinho e sinceridade. Represados, talvez, nas latentes como o sangue sob a pele, e prontos a romper a crosta criada a duras penas, ao longo de um passado tão cheio de sacrifícios e infortúnios.

Obrigado, Lisboa, terra tão boa, gente tão gente, casas tão casas, amigos tão como já não se encontra. Obrigado, Coimbra que me recebeste em tua Academia e em teu Convívio e que me puseste uma velha capa sobre os ombros. Obrigado, Porto, onde teus estudantes quiseram não me deixar trabalhar em boate, porque não sabem ainda que a poesia e a canção têm de estar em toda parte (mas obrigado pelo gesto, estudantes do Porto!). Obrigado, Óbidos, que pareces feita no céu, tão linda e pura como uma avozinha menina que ainda usasse flores silvestres na cabeça. Obrigado, Évora, mãe alentejana de Ouro Preto, cidade onde mais que nenhuma outra se sente o Brasil colonial, o Brasil do Aleijadinho, cidade perfeita de gentil austeridade. Obrigado, Monserraz, que, esta não quero ver nunca mais porque se a ela voltar nela hei de ficar, entre seus muros brancos e seus homens e mulheres do mais franco olhar.
Obrigado, Portugal. Resta sempre uma esperança.
Eu voltarei.
Vinicius de Moraes
Rio de Janeiro, 15.06.1969 ..."

Objectif Lune


"... Múltiplas provas mostram que estava presente água tanto na pluma de vapor como na cortina de materiais ejectados pelo impacto. Ainda temos de fazer mais análises para estudar a concentração e distribuição da água e de outras substâncias, mas é seguro já dizer que a cratera Cabeus tem água ...", explicou Anthony Colaprete, cientista do projecto LCROSS.
Com esta, até fiquei com água na boca e cabeça na Lua!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Por vezes as noites duram meses

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Portugal dos Pequeninos BLOG

Ligação directa!

Cinema Português

Infidelidades Electrónicas e Possibilidades
"... É um jogo gratuito, pior que a infidelidade real. É um jogo em que está tudo viciado, até a infidelidade. (…) O cinema português teria muitas possibilidades, há 200 milhões de falantes de português, mas a maioria dos países é pobre. O único emergente é o Brasil, mas há um preconceito contra tudo o que é português. Por exemplo, o meu filme, que esteve na Mostra de São Paulo, passou legendado. ...”.

"ANA"

Assim, até dá gosto receber o Inverno!
Gosto da expressão desta “Ana”.

Roda o disco e toca o mesmo: “nona sinfonia da semântica”

E esta! Na realidade, há coisas suficientemente perversas para evidenciarem a fase em que se encontram.
Ora estão numa luta fugaz, ora estão no aquecimento, ora estão a caminhar “ … para um tempo de maior tranquilidade …”.
Andam nisto há quatro anos e tudo se resume a uma questão semântica!
É tudo uma questão de educação que, infelizmente, não se avalia.

Made in China





Censura derruba directora da revista mais livre da China.
O que fará às livres (sem mais)!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Vara-nos!

Isto está a aquecer. Sabem se o tempo vai mudar?

O sex appeal

"A visão ingénua da evolução darwiniana é que os comportamentos mais selvagens, brutais e egoístas estão em vantagem. Não é verdade, e este é apenas um dos exemplos", defende Pepper. M. F. R.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sir Ruy de Carvalho

The Dresser (de Ronald Harwood)

“Um retrato apaixonante nos bastidores do teatro. (…) Uma aventura cómica e, ao mesmo tempo, emocionante sobre relações humanas. …”.

Um Espectáculo - dentro dos camarins, um privilégio inesquecível;
Um Actor – O Actor - que sabe resistir às vergastadas dos críticos, porque é mais fácil subir do que aguentarmo-nos no topo;
Um Camareiro - O dos olhos sentimentais, poderoso – em personagem e fora dela - aquele “Norman”, viverá sempre como a representação viva da deontologia profissional, com Ele, desenganem-se os que dizem que no Teatro não existe ética.
Nós – a quarta parede - não obstante os violentos ataques aéreos, aguentámos firmes os nós na garganta, andámos à bolina pelos sentimentos e segurámos as placas.

Pensando bem, poderia ter começado este post como “Norman” iniciou, muitas vezes, os diálogos com “Sir”:

Utilizava as mãos para enxertar sentimento nas palavras e colocava a voz – aquela voz grave - na esquerda alta, bem ao nível do coração.
Como em Cachoeira, não saia até adormecermos de tanto rir.
Conte mais uma e mais uma, outra e mais outra - esta é a Sua deixa!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ALA - António Lobo Antunes

Desconhecia, por completo, o conteúdo do último livro de António Lobo Antunes: “Que Cavalos são Aqueles que fazem sombra no Mar”.

Falta grave (mas sem dolo) suprida por um convite de um amigo que me permitiu assistir, hoje, ao final da tarde, à apresentação da obra.

Que Livro! Ribatejo, Marialvas, um pedófilo, que engata rapazinhos no Parque Eduardo VII e a criada que sabe todos os segredos …

É impressão minha ou já ouvi estes ingredientes, em algum lado?!

Sim, é verdade, o ALA tem um timbre envolvente, baixo mas envolvente, como os livros que escreve e os olhos azuis que transporta.

Muito agradecida, meu querido Luís, bem sabes quanto gostei!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Gente Grande da minha terra


"Não semos nada, nada".
Nada!
Certamente a festejar e a dizer, baixinho, "tu que sabes e eu que sei, cala-te tu que eu me calarei".
Xiuuuuuu"não semos nada"!

domingo, 18 de outubro de 2009

Caderno Afegão

Depois de “Oriente Próximo”, chegou




Li aqui, o que bem descreve este óptimo livro: “… Aquilo que aqui, a ocidente, a milhares de quilómetros de distância, é apenas um borrão sem nome, uma massa de ideias vagas e de lugares-comuns, geopolítica e geoestratégia, toma a forma de gente concreta, ganha contornos, espessura, rosto. O facto de Alexandra Lucas Coelho escrever tão bem faz o resto. É o meio de transporte em que viajamos por um lugar aonde, é quase certo, nunca iríamos de outro modo. …”.
Contou-me uma amiga, também, (grande) Jornalista que a autora do livro é de uma coragem atrevida, de valores absolutos, uma Mulher de uma fibra que ultrapassa a distância dos locais que visita. Não é ficção!

Terminei o “Caderno Afegão”, a imaginar o que seria estar frente-a-frente com os Budas de Bamiyan”!

Resta-nos, esperar por mais viagens, mais livros.
Como diria o poeta “venham mais cinco. Duma assentada, que eu pago já”!

Take this Waltz

“… Deixaria neste livro
toda a minha alma.
Este livro que viu
as paisagens comigo
e viveu horas santas.
Que pena dos livros
que nos enchem as mãos
de rosas e de estrelas
e lentamente passam! (...)"



"Take this Waltz", continua, tal como continuará Lorca, na prosa, na poesia, de geração em geração:"Intemporal, sensual e profano. Indomável cigano".

sábado, 17 de outubro de 2009

Afonso Henriques no Teatro D. Maria II


É um espectáculo, primoroso, para TODOS!
Um excelente trabalho, onde os pormenores ultrapassam a dimensão da narração e a sensibilidade toma conta da História, com a generosidade que apenas as coisas grandiosas permitem alcançar.

Em 1983, foi "(...) Considerado o Melhor Espectáculo para a Infância e Juventude pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro (…) ….”.

Assim deve continuar, um dos melhores!
Conforme aqui bem se escreve “… Afonso Henriques é um espectáculo encenado por João Brites que confronta a imagem que se tem do nosso primeiro rei com os diferentes relatos e memórias que foram sendo transmitidos ao longo dos tempos".

“Pai, o que é a Justiça?”, perguntava "Afonsinho".
Curioso, ou não, antes a inalterabilidade das dúvidas que a pequenez de certas respostas!

domingo, 11 de outubro de 2009

A Nossa Janela

Da Nossa Janela, haverá vento sem parar!
Paragem regular e refúgio fiel, permaneceu firme aos comentários e transparente ao soslaio.
Guardou-nos, por dentro e por fora, como quem estende um regaço abnegado.
De aspecto quente e perfumado, apenas por breves e ingénuos descuidos, converteu o branco da lucidez e deixou entrar a transparência da poeira.
Indiferente aos olhares da cobiça, aguentará firme a tentação visceral dos que marcam passo, na comédia hilariante.
E se, um dia, por lá acabarmos, será nos mesmos lugares.
“… Como é meu velho costume não tenho nada a dizer sobre este filme que aliás, neste preciso momento ainda não se encontra concluído.
E como é sabido, estas coisas de cinema só se sabem no fim.»
João César Monteiro

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Independência de Portugal



Oitocentos e sessenta e seis anos depois, no 5 de Outubro, comemora-se a Independência de Portugal.
“… Em 1139, Afonso Henriques foi vitorioso na batalha de Ourique.
O Tratado de Zamora foi o resultado da conferência de paz entre Afonso Henriques e o Rei Afonso VII de Leão e Castela, a 5 de Outubro de 1143, marcando geralmente a data da independência de Portugal e o início da dinastia afonsina. ...".
"Leva-me aos fados", Portugal!

sábado, 26 de setembro de 2009

Isto sim, é um Frente-a-Frente

Numa época onde as soluções não abundam e a dúvida é quase permanente, a opção vai para um “frente-a-frente” diferente, mais digno, profícuo e delicado.

“… Um frente-a-frente continua a ser um frente-a-frente quando se é do mesmo partido? …”.
Claro que sim, mas apenas entre pessoas livres e de palavra.
É caso para dizer: Padam, padam, “… vai tudo pelos ares …” e “O mundo explode outra vez ...” mas “… nas mãos do Teatro Praga …”.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009