quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ligação directa


Ligação directa ao Blog "Delito de Opinião", com chamada especial para o comentário subscrito pelo Pedro Correia

terça-feira, 7 de setembro de 2010

The Man Who Sold The World

"O Brave new world That has such people in it".
William Shakespeare

"E tu? De que és inocente?"


"Os seis condenados da Casa Pia vêm engrossar a chorosa lista de inocentes de que, como se sabe, estão cheios tribunais e cadeias de todo o Mundo.
Até ver, e dependendo do resto do processo, a principal diferença entre os inocentes da Casa Pia e alguns dos outros inocentes (assassinos, violadores, assaltantes) é que estes não aparecem nas TVs a fazer queixa dos juízes aos Ex. mos Srs. Telespectadores nem a sua condenação (por crimes que, obviamente, nenhum deles cometeu) faz "aterrar" sobre a Justiça o apocalíptico Reino das Trevas (ou, ainda pior, das "Trêvas").
Como os demais "inocentes", os da Casa Pia irão "até ao fim" do Universo, da Física e da Metafísica para obter a condenação dos juízes que os condenaram e, se não for pedir muito, das vítimas que lhes "fizeram mal".
Ora quis o acaso objectivo que, no mesmo dia da sentença da Casa Pia, passasse na RTP um filme em que, a certa altura, John Turturro é metido na cela onde está Schwarzenegger e faz as apresentações perguntando imediatamente: "E tu? Estás aqui inocente de quê?".
"Maravilhosos acasos, aqueles que agem com precisão", diz Bresson."

terça-feira, 27 de julho de 2010

I Scream, You Scream, We All Scream for Ice Cream

Romances negros, noites claras - ALA



Um LOBO, ANTUNES; e um PIRES, CARDOSO.

Como retirar benefícios dos inimigos - Plutarco

O inimigo vigia atentamente os teus actos, pretendendo sempre tomar a dianteira em todos os teus passos, cerca a tua vida, espreitando, não apenas entre as árvores, como fazia Linceu, nem só entre seixos e cacos, mas através do teu amigo, do teu escravo, e de todos os teus familiares, procurando informar‑se o mais possível sobre o que tu estás a fazer, e atento, segue no encalço dos teus projectos. Muitas vezes, os nossos amigos ficam doentes ou falecem sem que nós tenhamos sabido, por negligência ou descuido nosso; agora dos nossos inimigos, pouco falta até para lhes ocuparmos os sonhos. Doenças, dívidas, desacertos conjugais, mais facilmente passam despercebidos aos amigos do que ao inimigo. E o que é mais importante, ele fixa‑se sobretudo às nossas fragilidades e procura expô-las. Tal como os abutres são atraídos pelos odores dos cadáveres em decomposição, mas são incapazes de sentir que estão purificados e limpos, também as enfermidades, as fraquezas e os sofrimentos da nossa vida põem o inimigo em movimento, e os que nos odeiam lançam-se sobre eles, atacam‑nos, e desfazem‑nos em pedaços. Como pode isto ter utilidade? Seguramente, tem a de forçar a uma boa conduta de vida, a de prestar atenção a si mesmo, sem nada fazer ou dizer de leviano ou irreflectido, mas, tal como uma dieta rigorosa, a de manter sempre a vida resguardada de toda a censura. É que a vigilância, que assim controla as emoções e conserva o raciocínio mesurado, faz desenvolver a prática e o propósito de viver em equilíbrio e de modo irrepreensível. Assim, tal como as cidades castigadas pelas guerras com as cidades vizinhas ou pelos assaltos militares contínuos apreciaram as boas leis e um poder político saudável, também os que foram forçados, por força das inimizades, a levar uma existência sóbria, a evitar entregar‑se à imprevidência da acção e aos erros de avaliação, a tudo fazer com moderação, são pelo hábito conduzidos até à irrepreensibilidade, boa conduta e têm um modo de agir ajustado, por pouco que o espírito esteja envolvido. E como o dito “‑ Na verdade se regozijariam Príamo e os filhos de Príamo!” está sempre à mão, demove‑os, afasta‑os e põe‑nos longe daquelas situações que levam os inimigos a comprazerem‑se e a rejubilarem. E vemos com frequência os actores de Dioniso, nos teatros, a representarem displicentemente quando estão uns com os outros, com indiferença e sem determinação. Mas quando há rivalidade e uma competição com outras companhias, não só zelam melhor pelo seu próprio desempenho, como pelo dos seus instrumentos, afinando‑os, esforçam‑se com mais rigor pelo equilíbrio do conjunto, e tocam as flautas harmoniosamente