segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Sou areia que se esvai
Sou esta areia que se esvai
entre o cascalho e a duna
a chuva de Verão chove-me na vida
sobre mim a vida que me foge persegue-me
e vai acabar no dia do começo
Caro instante vejo-te
nesta névoa que se levanta
quando não tiver de pisar estas longas soleiras movediças
e viver o espaço de uma porta
que se abre e que se fecha
Samuel Becket
em Relâmpago n.º 13
sábado, 15 de outubro de 2011
Sangue do meu sangue - Cinema Português
Um belíssimo projecto Português, em tempo de ambições e passividade.
As fortes interpretações surgem sem que esse tempo se sinta, existem numa multiplicidade de relações cuja actualidade é tão certeira como verdadeira.
Corpos em relações de afectos, sentimentos ou emoções, não importa definir a substancia, são "Sangue" que circula; vivências, vozes e existências que nos chegam como brutais espelhos da vida.
As fortes interpretações surgem sem que esse tempo se sinta, existem numa multiplicidade de relações cuja actualidade é tão certeira como verdadeira.
Corpos em relações de afectos, sentimentos ou emoções, não importa definir a substancia, são "Sangue" que circula; vivências, vozes e existências que nos chegam como brutais espelhos da vida.
sábado, 8 de outubro de 2011
Uma Cidade como se fosse gente
Poder-se-á amar uma Cidade como se fosse gente, percorrer-lhe as ruas, saborear-lhe os sons e escutar-lhe as quadras coloridas dos pregões?
Poder-se-á amar Lisboa em cada janela pendurada no vento, como os antigos? E poderá Lisboa amar-nos como se gente fosse, agarrar-nos por dentro até se diluir em nós?
Lisboa, pequena e íntima, é, por vezes, cruel, quando a escuridão da noite corta o recato ou as paredes das imagens não filam a podridão dos homens.
Mas no sempre, Lisboa fala-nos baixinho, ao ouvido, como quem desperta os sentidos e a compreensão. Refresca-nos com a água da chuva e surpreende-nos com novos sabores, com novas cores, com o mesmo sorriso de menina.
Lisboa de sempre, será sempre Lisboa, uma Cidade que se ama e que nos ama, como se fosse gente.
Poder-se-á amar Lisboa em cada janela pendurada no vento, como os antigos? E poderá Lisboa amar-nos como se gente fosse, agarrar-nos por dentro até se diluir em nós?
Lisboa, pequena e íntima, é, por vezes, cruel, quando a escuridão da noite corta o recato ou as paredes das imagens não filam a podridão dos homens.
Mas no sempre, Lisboa fala-nos baixinho, ao ouvido, como quem desperta os sentidos e a compreensão. Refresca-nos com a água da chuva e surpreende-nos com novos sabores, com novas cores, com o mesmo sorriso de menina.
Lisboa de sempre, será sempre Lisboa, uma Cidade que se ama e que nos ama, como se fosse gente.
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