sábado, 3 de março de 2012
O Homem que falava com o vento
Sentou-se para escrever o que tinha ouvido, à janela.
Com a mão esquerda, agarrou na chávena de chá,
fechou-se como pálpebras
(uma na outra)
a ouvir a água que trazia
o poema.
Com a mão esquerda, agarrou na chávena de chá,
fechou-se como pálpebras
(uma na outra)
a ouvir a água que trazia
o poema.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
The way life is
"I have many references, many images, so that in a sense I have no images.
Because I could just as well substitute one image for another, in the joycean sense of there being not a symbol but multiple symbols.
One thing can build on another, or you can suddenly have something - the same thing- being something else ...
That seems to me the way life is anyway."
Merce Cunningham
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Almost
nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder da tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor dos seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez mais respira
(não sei dizer o que há em mim que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
e.e. cummings
domingo, 29 de janeiro de 2012
Somos livros
- E se, na realidade, fossemos todos livros? Se vivêssemos no meio dos parágrafos, pendurados nas virgulas e nos pontos finais ou, mesmo, encurralados nas interrogações?
- Mais fácil seria, com certeza!
- Porquê?
- Os bons livros nunca dormem. De noite ou de dia, quando temos insónias ou sonhos saborosos, estão sempre lá.
- Disponíveis?
- Não, ao alcance!
- Isso...
- Basta.
- Isso...
- Basta.
sábado, 28 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O Eco
“... (...) Às vezes não tenho tanto a certeza de quem tem o direito de dizer quando um homem é louco e quando não é. Às vezes penso que não há ninguém completamente louco tal como não há ninguém completamente são até a opinião geral o considerar assim ou assado. É como se não fosse tanto o que um tipo faz, mas o modo como a maioria das pessoas o encara quando o faz. ...(...)”.
William Faulkner, in 'Na Minha Morte'
As memórias das imagens
"(...) ... a essência de toda a verdadeira educação ou paideia é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito; ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento. ...(...)".
Platão
domingo, 22 de janeiro de 2012
Usufruir
- Usufruir do tempo, do espaço e do modo.
Usufruir!
Com o olhar, com nada e com tudo.
Sem ter medo do desejo.
Ano, após ano, o tempo corre. Silenciosamente.
(um silencio cheio - sabe o que sente a chuva, o frio e o escuro)
Pudéssemos nós aproximar-nos do céu tal como ele se aproxima da terra.
E usufruir dos pequenos nadas que valem tudo.
- Só isso?
- Sim, só isso.
- Usufruir entre dois sorrisos brancos de partilha?
- Brancos?! Sim, do branco que amplifica o poema.
Verticalidade
Crescemos perfumados de afectos e de mensagens de que a vida é para ser vivida, com verticalidade. Abraçamos projectos, no pressuposto do desinteresse.
O tempo passou.
(o tempo, também, passa)
O colorido da paisagem transforma-se numa terrível tempestade.
- Crescemos?
- Sim, crescemos.
Sem que o mundo tivesse parado.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Just breaths
"In the end, it`s not going to matter how many breaths you took but how many moments took your breath away!"
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